terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O Peixe


O Peixe queria uma pérola. Mas não achava nenhuma por aquele imenso mar azul. Ele procurava dentro das conchas mais bonitas, mas sempre alguém já tinha pego. 

O Peixe, muito triste, parou de procurar. O molusco, seu velho amigo e muito sábio, vendo a sua tristeza quis aconselhá-lo:
- Amigo Peixe, se tu queres mesmo uma pérola , procure nas conchas mais feias e pequenas, naquelas que ninguém procura.

O Peixe então encontrou uma concha feia sozinha, ali sem ninguém dar atenção. Abriu-a e encontrou uma brilhante pérola maravilhosa.

O Peixe com sua pérola era invejado por todos os peixes que não tinha uma pérola ou por aqueles que tinham mas não era tão bela. Por aqueles peixes que só iam nas conchas mais lindas.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A NOITE DA PAIXÃO


"Ele não podia fazer nada, apaixonado pela irmã da mulher que estava destinado a casar, sabia que alguém sairia magoado dessa história. Bom rapaz de caráter, nunca desejou mal a alguém, sabendo que sua noiva cairia em depressão se a deixasse, decidiu casar-se, para ele ser infeliz e não causar confusões em ambas às famílias.

Fingia um sentimento pela mulher que o amava, dizia mentiras a todo o momento que falava que não conseguia viver sem a mesma. Ele só queria vê-la feliz e assim ter a mulher que amava sempre por perto. Pois a irmã da noiva ainda era solteira esperando pelo príncipe encantado que parecia nunca chegar, mas que talvez estivesse em teu caminho.

O que o rapaz não sabia era dos sentimentos de tal mulher. Véspera de teu casamento, andando pelos corredores da mansão da mulher que se casaria em breve, foi puxado para um quarto escuro. Após segundos, até sua visão se acostumar com o breu, reconheceu o rosto de sua amada, que na manhã seguinte a chamaria de cunhada.

Sem dizer nada, a mulher começou beijá-lo com uma paixão que acendeu todos os desejos que sentiam. Era um momento mágico, presos pelo amor naqueles minutos, sem a preocupação com as pessoas do mundo, fizeram amor apaixonadamente, uma sensação incrível em ter a sua amada em teus braços sentindo todo seu calor, o tempo parou e eles se amaram intensamente naquele instante, sentiu-se que foi embora em nuvens, e sentiu ainda mais paixão pela futura cunhada.

Na manhã seguinte, voltou á realidade quando acordou em sua própria  casa sabendo que tinha errado ao deitar com outra mulher. Entrou em desespero quando a campainha tocou. Era sua noiva em prantos, chorando desesperadamente.

Chegando a conclusão que a irmã a contara o que havia ocorrido na noite anterior, contou tudo antes da mulher dizer algo. Disse o quanto gostou daquele momento , o quanto foi apaixonado por todos os anos que a conhecia.

A mulher na porta de sua casa mudou as expressões ao ouvir aquilo que vinha de seu noivo. Sofreu muito mais, desmanchando o tal casamento que ocorreria naquela tarde. Ela só vinha avisar que a irmã acabava de se suicidar, e que o casamento seria suspendido. Mas a notícia a abalou ainda mais.

O rapaz sofreu com a morte da mulher que amava de verdade e sentiu-se culpado pela tragédia, ele tinha certeza que ela se suicidou pelo peso da culpa do ocorrido  naquela noite. Ficou sozinho, sem ninguém, aprendeu uma lição que levou para o resto da vida.

Se ele  só ficasse calado naquela hora que sua noiva estava em prantos, não estaria completamente sozinho, estaria casado com a quase cópia do seu amor e guardaria para ele o prazer da paixão daquela noite,  e só teria um sofrimento, que era a morte da amada..."

-Thiesley Nunes

sábado, 12 de janeiro de 2013

EM CHUVA !

Sinto algo especial que vem da chuva, cada pingo de água que escorre pela janela vai entrando em uma poesia surreal que se escreve sozinha sobre o papel linhado do meu caderno. O barulho que ouço desperta a minha imaginação e vai nascendo de tudo o que a minha mente permite, vejo em minha frente inúmeras coisas totalmente absurdas e, ao mesmo tempo, encantadoras. Um colorido arco-íris me emociona, fazendo-me acreditar que o pote de ouro é só um pretexto, e que a minha imaginação é a maior riqueza que posso encontrar se eu chegar até ele. Talvez, ninguém tenha visto o arco-íris, a ocupação de ficarem "navegando" pela internet passa longe de o quanto é bom navegar pela chuva, apenas tendo a imaginação como única companheira. E sendo a hora perfeita para dar um mergulho, a água que escrevo é aquilo que crio, a chuva é ainda mais, tudo é além daquilo que todos  vêem mas só eu a sinto do jeito que posso, a chuva! A água que escorrega da nuvem, por seus curiosos pingos chegando na beirada, caindo numa poesia que só eu a escrevo sobre o lindo arco-íris que é o barco de tudo isso ...

- Thiesley Nunes

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A Morte me Visitou!


Era fim da tarde, a campainha tocou e, sem ao menos eu pensar em alguma maldade das pessoas, abri a porta pensando em ser algum vendedor ou até mesmo o carteiro atrasado. Mas não era ninguém que estava pensando, era a morte, de capuz preto, usando roupas velhas e desbotadas e me apontando uma arma. Me fez de refém e pediu para me sentar no sofá e ficar quietinha. Eu não sabia o que fazer, estava totalmente perdida, a dois minutos atrás eu estava assistindo TV pensando no que mamãe iria me trazer do mercado. Estava sozinha em casa, sentada naquele sofá, só queria que alguém aparecesse lá e me ajudasse. O medo tomava conta de mim, eu só tinha que ficar de boca fechada, eu só pensava em mamãe e papai. Estava nervosa, amanhã seria meu décimo primeiro aniversário, eu observava a morte, colocando as coisas que valem dinheiro em sua mochila, mas não tinha valor nenhum para mim naquele momento. Quando ouvi o barulho da porta dos fundos sendo aberta por mamãe, dei um grito pedindo socorro.  A morte olhou para mim, encostou a arma em meu peito. Ouvi um barulho bem forte! E sei que todo aquele medo passou quando fechei meus olhinhos antes mesmo ver mamãe... Deixei mamãe e papai comemorarem sozinhos meu aniversário , vou deixar saudades , pois eles diziam que me amavam, acho que todos sentem saudades de quem ama.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

ADEUS PALAVRAS

Escrevo tanto, que estou me perdendo nas palavras escritas. Não sei o que está acontecendo com o vocabulário de minha mente e com a caixinha de imaginação que está muito fraca a cada dia que passa. Inspirações se vão pra longe quando eu tento pensar em algo. Mas as palavras saem, avulsas, sem-sentidos, insignificantes, sozinhas, totalmente perdidas. Um tsunami de palavras, com ondas fortes que alagam meu cérebro. Elas também me maltratam, me sinto irresponsável por não cuidar bem delas. Mas, não há o que fazer, horas passam, centenas de palavras me pertubam saindo a todo momento de mim. Minha cabeça entra em transe, chegando perto de explodir, são mais palavras querendo sair, palavras sem ideia, sem graça, sem poesia. Elas querem se acertar para serem belas bem longe de mim, querem me abandonar deixando minha cabeça em um total isolamento. Não consegui ter o dom de escrever bonito igual a muitos, sou diferente, as palavras fazem greve, me odeiam. Bagunçando minha mente, arrumam as malas para irem embora, para entrarem em uma outra mente de uma outra pessoa que tenha a capacidade de usá-las perfeitamente. Vou sentir saudades quando a última for embora. Uma grande decepção sinto quando vejo que, igual as pessoas, as palavras também irão me abandonar. Elas que eram minhas únicas amigas...

- Thiesley Nunes